segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

FRUTO DA ETERNIDADE

Tu foste ao pé da árvore e colheste frutos
escolheste destes frutos as mais belas sementes
plantaste suas sementes em terra fértil
nasceram lindos brotos, e deles lindas flores
julgaste ser semeador de belezas
 Sou semeador de sonhos, fazes colheita de alegrias
o que sois enquanto dormes? Eu quisera saber,
hoje fez sua ultima colheita, mas dessa colheita não haverá fruto algum
seus frutos serão eternizados em tantos corações
hoje sois semeador de saudades
Plantaste hoje a semente da despedida
estou colhendo lágrimas ao lhe ver distante no horizonte
hoje, contempla sua fartura
 apenas os bons frutos colhidos estarão junto de ti
Verá que em toda vida semeaste em terras de bom plantio
mas que nem toda a bela semente deu bom fruto
porem os frutos bons que colheste e plantaste lhe serão de eterna fartura
hoje se tornaste semente em tantos corações
semente esta que nos dará o fruto da saudade e de boas lembranças
No infinito tornaremos a plantar a semente da nova vida

(Ao querido e inesquecível Cecílio Moreira)AAMS

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Deserto

Deserto longínquo onde meus pés se prendem na fina areia
 quente tu soubera de meu sofrimento
e me deixara arder no árido sol afogando-me em agonia,
não serão os abutres que festejaram o meu desfalecer,
 a festa será dada por ti, tu quisera ver-me em sofrimento
contínuo sem dar-me uma única esperança de vida.
Não são tristezas que movem o amargor da vida,
são as incertezas que carregamos em nossas mentes
e as nossas esperanças que preenchem
as muitas lacunas da alma, hoje sinto o sol arder
por toda pele já não há mais o que se possa ver
com as retinas secas no deserto, eu quisera estar vivo,
 mas a recompensa que se cai em minha fronte
 é ter em minha alma a certeza de que mesmo o mais
 impuros dos seres que hoje habitam a terra poderão
enfim ouvir aminha voz que clama por perdão divino
por erros que cometi com consciência e que mais
prejudicaram minha existência dando a ti o gosto da vitória
 por abandonar-me mesmo que não houvesse
merecido tal fim a minha carne.
Se julgares por maior sofrimento verá que sofrimento maior que possa ter sentido não foi enquanto me via arder ao sol torrente do deserto, mas a solidão a que fui fadada por toda vida dada as incertezas que me geraram fraca e louca a ponto de me perder em erros, sofrimentos e desafetos insatisfatórios a que me submeti enquanto vivia, já não sou digno de pisar ao chão então fado-me a vagar na escuridão do esqucimento.