quarta-feira, 20 de julho de 2011

Gota vermelha


Quão formosas são suas formas naturais, silvestres, expressão da natureza humana indomável. Tu que em um segundo foste vorás, a roer-me os ossos sem piedade alguma, enquanto eu gemendo com a mais profunda dor em minha alma, resisti friamente ao seu ataque cruel.

Restando-me somente as vísceras, desfaleci em dor e lamento agonia, sobretudo tormento de ver-me totalmente em rasuras da carne. Visão possuía sem ação me via, desfalecida, inerente jogada em uma vala untada em restos de animais fétidos, servindo agora de alimento aos vermes. Quisera eu sair correndo, porém estava presa ao corpo imóvel e em decomposição que me restava.

Já fui vivo, agora sou pó que alimenta abutres, deixei-me levar por sua formosura perversa criatura desumana sois vós. Gélido é seu coração encarnado, más são suas ações. Junto aos vermes está o meu corpo, mas me diga quem saberá por onde vaga minha alma.

No escuro que me rodeia, há acima uma sempre uma luz longínqua distante, que irei um dia cansá-la, porém agora sigo a ver os meus restos deixados por tu formosa natureza humana sem alma latente.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Vales de viver, jardim de amor

Amor que embriaga, e de veras inunda o peito sem mesmo que seja a sua vontade toma em imensas proporções, devora com seu olhar as devesas de minha alma deixa-me sem defesas leva-me pra si.
Enlouquece meus sentidos inunda-me com seu saber, planta sem a certeza de uma colheita, amar as escuras sem luz alguma a indicar a direção, pois quando há uma luz sega-nos os olhos sendo assim seguimos com olhos fechados.
Passamos por entre espinhos e pedras pontudas, e no escuro em que seguimos as feridas e arranhões são inevitáveis, mas mesmo sem ver seguimos adiante, temos a esperança de que ao chegar ao final deste vale de pedras há um vale de céu limpo grama fofa, e belos jardins a exalar distintos perfumes, com arco-íris de cores nos campos vistos por todo horizonte.

Blasfêmia alguma será dita, e a paz reinara em nossos corações, restarão apenas à alma o coração flores e folhas de um imenso jardim.